Pasta com creme de pimento


À semelhança deste posthoje trago outra receita que veio das férias do verão. 

No último dia em que jantamos por lá o meu marido pediu um macarrão com creme de pimento, quando chegaram os nossos pratos olho para o dele e pensei - Oh coitado, tão simples que vai já começar a reclamar! Eu, pedi um cacio pepe com gambas e lima (grande dica desta menina) que estava divinal. Confesso que me senti mal ao comparar o prato dele com o meu (vejam aqui do que falo). Assim que começamos a comer ele olha pra mim e diz: Marmita do meu coração (ou se calhar foi só Sandra! Já não me recordo, hihihi) - É a melhor pasta que eu comi nestas férias! 


Provei e confesso que fiquei muito surpreendida, eu até nem sou grande apreciadora de pimento, mas adorei. Logo naquele momento, prometi a mim mesma que assim que chegássemos a casa tentava reproduzir a receita. Entretanto já faz parte do menu cá de casa.

O sabor não é bem igual, creio que o deles era um pouco mais doce, talvez usem natas, não sei. Mas fica muito semelhante e dá para matar as saudades.


Partilho agora convosco a minha adaptação, o que vos posso dizer é que fica um prato muito simples, mas acho que é essa mesma simplicidade que o torna tão especial.

Ingredientes: (6 pessoas)
1 cebola
2 dentes de alho
1 pimento encarnado
250g de pasta Strozzapreti c/ ovo
100g colheres de sopa de queijo quark
sal, pimenta de moer
125ml de água da cozedura
queijo Trentingrana (ou parmesão) q.b.

Coza a pasta, até ficar al dente, em água uma pitada de sal e um fio de azeite. 

Numa panela coloque, uma cebola às rodelas, os dentes de alho, um fio de azeite e refogue até a cebola ficar translúcida. Adicione, partido grosseiramente, o pimento encarnado sem as sementes - retire aquela parte branca do interior que é bastante digesta - eu não retirei a pele exterior. Refogue uns 5 minutos ou até sentir que o pimento já está a ficar mole, caso necessário, adicione um pouco de água (eu usei a água da cozedura da pasta), tempere com sal e pimenta de moer e quando tiver cozinhado, coloque o preparado numa liquidificadora e passe tudo até que fique um liquido, junte o queijo quark e reserve.

Depois a pasta cozida, escorra-a muito bem, mas no momento em que a estiver a escorrer, guarde um pouco da água da cozedura, que podes ser precisa. 


Numa frigideira anti-aderente, coloque o pimento e em lume brando deixe ferver, caso necessário, adicione um pouco da água da cozedura. Junte a pasta, envolva durante uns 2 minutos ao pimento - sem deixar de mexer. Rectifique os temperos e minutos antes de servir, junte o parmesão generosamente. 




Sumo de dióspiro, laranja e menta

Antes do natal chegou-me cá a casa uma caixa cheia de laranjas e dióspiros biológicos bem maduros, andei uns dias a comer dióspiros ao natural, mas com as férias a chegar tive que arranjar uma solução para "acabar" com eles. 

Faço imensos sumos naturais, mais limonadas, porque não me dou muito bem com sumos demasiado pesados ou com muita fruta, e as limonadas ficam sempre mais leves para beber à refeição.

A menta ficou como a cereja no topo do bolo, dá um sabor muito fresco ao sumo, apesar de ter feito o sumo com água natural e a fruta também natural. Nesta altura do ano tento evitar coisas demasiado frescas por causa da garganta. Agora ainda tenho ali uma fruteira cheia de laranjas bem grandes para "matar" nas próximas semanas :)

Boa semana a todos!




Ingredientes: (1 litro)
3 laranjas grandes
4 dióspiros (usei dos moles)
600 ml de água natural
3 colheres de sopa de menta fresca picada

Num espremedor de citrinos, faça sumo de 3 laranjas e coloque numa liquidificadora. De seguida retire o talo e a pele dos dióspiro,  coloque na liquidificadora juntamente com a menta e com a água. e passe tudo muito bem, caso goste de um sumo mais liquido adicione mais água. Eu no inverno gosto mais de sumos tipo néctar e naturais, mas podem adicionar umas pedras de gelo. 

Para adoçar, usei uma geleia, mas aconselho a provarem primeiro porque nesta altura as laranjas e os dióspiros são bem doces.


Gratin de pastinaca e alcachofras de Jerusalém



Antes começar, muito bom ano a todos!

Para quem me segue no instagram sabe que adoro encontrar ingredientes novos, às vezes a coisa até corre bem porque me informo antes de os comprar, outras vezes nem tanto, mas isso faz parte da descoberta. 

Nas curtas férias que tive no sul de França ao ver um programa de culinária, reparei que estavam a usar um "radis noir", a minha curiosidade foi tanta que fui logo à descoberta desse tal rabanete e lá o encontrei. Veio comigo e sobreviveu, bem enrolado em uma camisola de lã dentro da mala... não veio sozinho como é lógico, mas o resto fica para depois.
O sabor é muito aproximado aos rabanetes vermelhos, se bem que o achei mais picante, mas não tão picante como o rábano que os Alentejanos tanto adoram e eu também. Gostei muito do sabor, o mesmo já não posso dizer da pastinaca, legume do qual já me tinha cruzado muitas vezes e nunca tive grande curiosidade em comprar, porque sempre tive um pressentimento que não iria gostar (devido ao seu cheiro). O meu marido gostou bastante por sinal, eu achei um sabor demasiado adocicado e não me despertou os sentidos, o que valeu para contra balançar foi o molho e as alcachofras, que são deliciosas.

2014 foi um ano de muita tranquilidade para mim, tive alguns dissabores mas isso faz parte da vida, mas de uma maneira geral foi um ano muito positivo. Se 2015 assim for, já me dou por satisfeita. 

Para os gostam deste meu canto, sejam felizes que a vida é demasiado curta! Como se costuma dizer no meu lado do rio, a vida são dois dias e o Avante são 3 (politiquice à parte, claro). 


Ingredientes do gratin: (2 pessoas)
1 pastinaca (270g)
3 alcachofras de Jerusalém (150g)
mostarda em grão e pimenta em grão moídas q.b.
1 bola de queijo mozzarella 

Ingredientes para o béchamel:
200ml de leite meio gordo
1 colher de sopa de margarina líquida
1 colher de sopa de farinha de trigo sem fermento
mostarda em grão, pimenta em grão, flor de sal de alecrim q.b.
noz-moscada ralada q.b.
curcuma ralada q.b.

Comece por tirar a casca à pastinaca, de seguida corte em rodelas de aproximadamente 3mm e reserve, faça o mesmo às alcachofras e coloque num recipiente com água para não oxidarem, caso não as use de seguida.



Para fazer o béchamel, coloque todos os ingredientes numa pequena caçarola e leve ao lume, assim que começar a ferver convém baixar o lume e não deixar de mexer com uma vara de arames, até encontrar a espessura desejada. Verifique os temperos e coloque por cima das pastinacas e das alcachofras, mexa muito bem para ficar tudo muito bem envolvido, coloque a bola da mozzarella por cima cortada grosseiramente e rale mais um pouco de noz moscada e curcuma. Leve ao forno a 200º durante 30 minutos ou até ficar bem dourado, como o da imagem.


Ingredientes da salada: 2 pessoas
1 rabanete preto
5 rabanetes vermelhos
4 mãos cheias de rúcula selvagem
1/2 laranja em gomos
1 romã

Ingredientes para o vinagrete:
1/2 sumo de laranja
1/2 sumo de limão
4 colheres de sopa de azeite
1 colher de chá de mel de cana
pimenta,  flor de sal de limão q.b.

Comece por fazer o vinagrete,  num recipiente próprio para molhos ou num copo, coloque todos os ingredientes e mexa tudo muito bem. Eu coloquei uns gomos da romã e deixei ficar a marinar até servir o comer. Se as vossas laranjas forem bem doces, ignorem o mel... as minhas eram bem grandes mas nada doces e achei que o mel veio ajudar a balançar os sabores.




Para a salada eu comecei por cortar o rabanete com uma faca para ficar em rodelas finas, mas era demasiado duro e estava a sair-me tudo mal, então agarrei e coloquei-os num robot de cozinha  (com casca) e dei uma golpadas fortes. De seguida juntei aos restantes ingredientes e reguei com o vinagrete, sem esquecer de colocar o sal. 

Blanquette de veau



Hoje trago-vos uma breve viagem gastronómica e mais uma panela Le creuset, uma cocotte oval de cor lilás, por sinal muito bonita.

França é um país que me diz muito, nós cá por casa tentamos fazer muitas receitas que remetem à infância do meu marido. Este prato provei da primeira vez que fomos juntos a Paris, ainda no inicio do nosso namoro, a nossa amiga Rosa fez-nos e eu, que nunca tinha provado fiquei fascinada com o molho de crème fraîche e o sabor a cogumelos frescos.

Este é provavelmente um dos pratos mais conhecidos em França, o coc au vin é igualmente muito conhecido e ambos em segundos nos remetem a comida da mãe. É também um prato óptimo para se comer no Inverno, acompanhado com um arroz branco ou umas batatas cozidas, coisas simples, para não nos dispersarmos do sabor da carne e do molho. Podem fazer com outro tipo de carne, eu já fiz com frango e fica igualmente bom.

Esta receita é do primeiro livro da Mimi Thorisson, autora de um dos blogs mais bonitos que eu conheço. É uma receita que leva algum tempo a confeccionar, mas é um prato cheio de sabor e vale muita a pena. A carne fica tenrinha e o aroma que o pequeno bouquet garni dá ao caldo é fantástico. Arranjem um domingo em que o tempo não vos arranque de casa e façam esta receita.



Eu adorei ver a cara do meu marido quando provou pela primeira vez a receita da Mimi, disse-me logo: Tens que dizer no blog que na cozinha onde for feita esta receita, vão sentir o aroma de uma qualquer casa francesa. Ora aqui eu estou a dizer isso e muito mais, se gostarem de viajar através da comida tanto como eu na minha cozinha, viagem até França, sigam os passos abaixo que não se vão arrepender.





Se precisarem de música para vos acompanhar, deixo aqui uma sugestão, se calhar um pouco diferente do habitual, eu adoro o tipo de música que ele faz, já me acompanha alguns anos e é para mim, um dos melhores contadores de histórias dos últimos tempos, bon voyage! 

Resta-me desejar um feliz Natal para todos e um 2015 cheio daquilo que mais desejam!

Ingredientes: 6 pessoas
1 kg de vitela sem osso (cortado em cubos de 5cm)
2 chalotas
2 cenouras (descascadas e cortadas em cubos)
2 alhos Franceses (parte branca laminada)
1 talo de aipo (cortado)
1 cebola pequena (laminada)
2 dentes de alho (picado)
1 bouquet garni (usei 4 talos de tomilho-limão, 1 folha de louro, 3 ramas de salva, 1 rama de menta)
1/4 de chávena de vinho branco (usei 3 colheres de sopa de vinho do porto)
Sal (usei flor de alho selvagem)
6 colheres de manteiga sem sal
1/3 de chávena de farinha de trigo
pimenta de moer
200g de cogumelos portobelo
300g de cogumelos brancos
1/2 cebola
sumo de 1 limão
2/3 de chávena de crème fraîche light
2 gemas de ovos (tamanho L)
1 mão cheia de salsa fresca (usei tomilho-limão)

Colocar uma panela grande ao lume, com àgua e sal, o suficiente para cobrir a carne, deixe ferver. Adicione a vitela, deixe novamente ferver, cozinhe por 1 minuto (retire alguma da espuma que a carne deixa vir à superfície)

Entretanto acrescente, as chalotas, os alhos, as cenouras, o aipo, o alho Francês, o bouquet garni à panela. Acrescente o vinho, deixe ferver e cozinhar por 2 minutos. Tempere com sal, tape, e deixe cozinhar em lume brando até a vitela ficar tenrinha, mais ou menos 1 hora e 15 minutos.

Depois de cozida, escoe a carne e os legumes do caldo e reserve. Retire o bouquet garni e reserve o caldo.



Numa caçarola pequena, em lume brando, coloque 4 colheres da manteiga, junte a farinha sem deixar de mexer, coloque duas colheres de sopa do caldo caso sinta que está a ficar muito empapado e deixe cozinhar sem parar de mexer, até o molho engrossar, são uns 2 minutos. Tempere com sal, pimenta e mostarda em grão e junte este molho ao reservado na panela grande, deixe cozinhar mexendo bem para se unirem, uns 5 minutos é suficiente.

Adicione novamente a carne e os vegetais à panela, tape e deixe cozinhar em lume brando por mais 15 minutos.

Entretanto, numa frigideira também em lume brando, coloque 2 colheres de sopa de manteiga. Saltei os cogumelos e a cebola até que ambos fiquem dourados, regue com o sumo de meio limão, deixe incorporar durante uns 30 segundos e adicione à panela da carne.

Por fim, numa pequena tigela, misture o crème fraîche e o sumo de meio limão, adicione as gemas de ovos, mexa tudo muito bem com uma vara de arames e junte à panela (não deixe ferver).

Retire do lume e sirva de imediato, com tomilho limão.

Bolachas de sementes


Sei que posts como este não têm perdão mas o Natal assim nos permite (ok, desculpas :) hoje, para compensar trago uma sugestão mais saudável, para equilibrar os posts deste mês.

São umas bolachas que retirei deste livro e que podem ser consumidas entre as refeições em todas as fases do livro, com ou sem dip. Eu pessoalmente, adoro o contraste do salgado com o aveludado do iogurte, por isso, raramente as como sem molhar no iogurte. Adocei-o com uma geleia muito boa que gentilmente me foi enviada pela Amor á terra, uma quinta situada no coração da serra mais bonita deste país - a serra da Arrábida, da minha margem sul. Fiquei rendida com os produtos desta pequena empresa e maravilhada com o nome que cada produto tem. Têm uma tisana que se chama Galapos, que é nada mais nada menos a praia que frequento desde criança, uma pequena praia na costa da bonita serra. Quem conhece esta praia sabe bem do que falo, é uma praia muito difícil de estacionar no mês de Agosto, por ser tão pequena mas se conseguirem, fiquem até anoitecer que é muito bonito.



Se quiserem conhecer mais produtos desta marca, passem por aqui, aposto que vão adorar.

Ingredientes:
1/2 chávena de sementes de sésamo
1/2 chávena de sementes de papoila
1/2 chávena de sementes de linhaça (castanhas ou douradas)
1/2 chávena de sementes de abóbora
1/2 chávena de sementes de girassol
2 colheres de sopa de sementes de chia
1 colher de sopa cheia de farinha de linhaça (eu triturei as minhas sementes)
1 colher de sopa de azeite
1 copo de água
1/2 colher de sopa de caril (ver aqui a minha receita)

Dip:
1 iogurte natural

Na véspera, coloque numa taça com água (1 copo) as sementes de chia e de linhaça. Ambas vão aumentar de volume e criar um tipo de goma. Deixe descansar de um dia para o outro, pelo menos durante 12 horas.


Pré-aqueça o forno a 180º. Numa tigela, junte todos os ingredientes secos. Em seguida, junte as sementes de linhaça e de chia que, entretanto, estão em forma de goma. Adicione depois o azeite e misture tudo muito bem até obter uma massa homogénea. Se quiser, misture o caril ou outra maneira de as salgar*.

Num tabuleiro forrado com papel vegetal, espalhe toda a mistura até obter uma camada fina. Leve ao forno a 140ºC, para as sementes desidratarem por completo e se obter uma massa crocante. Deixe ficar no forno cerca de 1h30m. Observe com frequência, para não deixar queimar os crackers.


Depois de pronto, deixe arrefecer por completo no forno. Parta aos pedaços e guarde num recipiente seco e fechado.

*Para mais versões salgadas, pode substituir o caril por: queijo ralado magro, alho, cebola, sal e pimenta branca, cominhos, piripíri, manjericão, alecrim ou tomilho, tomate seco.
Se preferir antes uma versão doce: erva-doce, canela, gengibre, cardamomo, raspa de laranja ou limão.