Brownies de cacau



Neste blog poucas são as receitas que levam chocolate negro, como eu não gosto, acabo por não fazer e o meu marido para além da tradicional mousse de chocolate, pouco mais me pede. No entanto sei que o chocolate como sobremesa é sempre aprovado em todas as casas, praticamente todas as pessoas gostam ou aliás, deliram. 

Foi o caso desta receita, queria levar algo de chocolate para um almoço fora, algo que desse para transportar com facilidade e para chegar ao destino em perfeitas condições. Lembrei-me destes brownies, de um blog que adoro e que já sigo há largos anos, valeu a espera porque ficaram muito bons. Mesmo não sendo grande fan de chocolate, provei e posso dizer que gostei bastante, em casa do convidado ainda os coloquei no forno uns minutos para serem servidos quentinhos, eu adoro o contraste do quente com a frescura do gelado, por isso levei também dois gelados para acompanhar.



Obrigada mais uma vez à Le creuset, pela ajuda preciosa que tem dado à minha humilde cozinha com tantos utensílios maravilhosos.

Ingredientes:(16 brownies) - receita retirada do blog Technicolor Kitchen
140g - de margarina liquida Vaqueiro
200g de açúcar mascavado
80g - de cacau light, sem adição de açúcar
¼ colher de chá de sal
½ colher de chá de extracto de baunilha
2 ovos grandes 
70g de farinha de trigo
74g de avelã picadas 

Pré-aqueça o forno a 160°. 

Unte com margarina uma forma quadrada de 20cm, forre-a com papel alumínio deixando um pouquinho para fora da forma, formando “alças” de 5cm. Unte o papel com vegetal, mas não as “alças”. Reserve.


Coloque a manteiga em uma tigela média e leve em banho-maria até derreter. Acrescente o açúcar e o sal e misture bem. De seguida, acrescente o cacau em pó e misture até obter uma massa homogénea e quente. Retire a tigela do banho-maria e deixe arrefecer.


Adicione a baunilha e misture com uma espátula de silicone. Acrescente os ovos, uma um, mexendo vigorosamente a cada adição – quando a massa estiver espessa, brilhante e homogénea, junte a farinha e misture tudo muito bem. Acrescente as avelãs e espalhe a massa uniformemente na forma preparada.

Coloque no forno por 20-25 minutos ou até que o palito mergulhado no centro do brownie saia húmido com um pouquinho de massa. Deixe arrefecer completamente sobre uma grelha.

Retire o brownie do tabuleiro com o auxílio das “alças” de papel alumínio e corte em quadradinhos (16 ou 25). Remova o papel com cuidado.

Sirva simples com um chá  para um lanche ou como sobremesa ainda quentes e junte-lhes um gelado.

Sopa de lentilhas e quinoa


Em casa dos meus pais era raro o dia em que não havia sopa ao jantar, eu confesso que nunca fui grande admiradora, tentava sempre escapar à sopa mas como todas as crianças nem sempre tinha sorte. Cá em casa como ainda não há crianças, a sopa só existe aos fins de semana e é quase sempre o nosso jantar no domingo à noite, agora já gosto mais de sopa mas confesso que há coisas melhores para comer na vida.

Opto quase sempre por cremes ou algo mais leve, mas com este frio que se tem sentido ultimamente só me dá vontade de fazer esta espécie de sopas que quase se parecem com uma refeição, sopas fortes à moda do norte, como diz a minha mãe. 

Com ajuda do super mercado Brio, desta vez preparei uma sopa vegetariana e inteiramente biológica. Todos os ingredientes que usei podem ser encontrados em qualquer uma das lojas Brio. A minha preferida é a do Chiado, porque uma ida lá acaba sempre com uma escapadela à Bertrand e outra ao Santini :) Mas agora existe um novo em Picoas, que até fica bem mais perto do meu trabalho e cada vez que lá vou, é quase impossível sair de saco vazio. Desta vez, fiquei muito admirada ao encontrar nos frios carne fresca, não sei se já existe algum tempo, mas eu nunca tinha reparado e é sempre bom saber destas coisas. Porque muitas pessoas pensam que quem frequenta este tipo de super mercados são mais os vegetarianos. Eu por exemplo, não sou e frequento com alguma regularidade, porque os legumes são óptimos e têm sempre coisas diferentes, inclusive a chamada fruta feia e perfumada que não se encontra nas grandes cadeias nos dias de hoje, infelizmente.

Aqui vai a receita e votos que o bom tempo volte e com ele as refeições de cores mais alegres.


Ingredientes: (6 pessoas)
1 cebola roxa
1/2 talo de aipo
2 dentes de alho
2 tomates maduros e pelados
1 alho francês (parte branca)
1 nabo
200g de lentilhas
100g de quinoa 
1 colher de chá de coentros em pó
1 colher de chá de paprika doce
1 colher de pasta de tomate concentrado (opcional)
sal (usei flor de sal de aipo)
200g de cogumelos marron
q.b. tomilho fresco

Numa panela grande coloque um fio de azeite, a cebola roxa cortada às rodelas, 2 dentes de alho picados, o talo de aipo cortado em pedaços pequenos e deixe refogar em lume brando com a tampa uns 5 minutos. 

Adicione o tomate cortado em pedaços grosseiros, sem a pele e deixe refogar mais um pouco (caso sinta que está um pouco seco, adicione uma concha de sopa cheia de água), deixe refogar mais uns 3 minutos e adicione o alho francês cortado às rodelas. Volte a tapar a tampa, regue com um pouco de água (até cobrir os legumes) e deixe cozinhar em lume brando, com a tampa mais uns 5 minutos.

Se sentir que o tomate não é suficiente maduro e não se desfez na perfeição, com ajuda de um esmagador de batata manual, pressione o tomate e deixe que se desfaça por completo. 

Entretanto corte o nabo em cubos bem pequenos e adicione ao caldo juntamente com as lentilhas e cubra com água (pelo menos 3 dedos a mais que os legumes) - porque as lentilhas vão absorver muita água à medida que vão cozinhando. 



Nesta fase pode temperar a gosto. Eu usei flor de sal de aipo para intensificar um pouco mais o sabor, coentros em pó e a paprika porque adoro o toque fumado que dão, e para dar mais cor, usei um pouco de pasta de tomate - mas se gostar da cor assim, passe à frente este passo. Nesta fase também adicionei um pequeno raminho de tomilho fresco porque gosto muito da frescura que dá aos cozinhados. Deixe cozinhar lentamente, sem deixar de ir mexer de vez enquanto.

Quando as lentilhas e o nabo estiverem quase cozidos, adicione a quinoa (e um pouco mais de água caso seja necessário), deixe cozinhar mais um pouco, rectifique os temperos e 5 minutos antes de desligar adicione os cogumelos partidos ao meio, não os deixe cozinhar muito.

Sirva bem quente com com mais umas folhinhas de tomilho fresco.

Canelés de Bordéus


Se há coisa que eu adoro no novo livro da Mimi Thorisson é a falta de pressa das receitas, são receitas que levam o seu tempo e alguma dedicação extra. Gosto muito de cozinha prática, principalmente durante a semana, mas ao fim de semana gosto de ter o meu tempinho e ficar umas horas sozinha na minha cozinha a fazer receitas mais demoradas. Foi o que aconteceu nesta receita que fiz há semanas, levou 1 hora e 30 minutos, mas acreditem que vale muito a pena, o resultado é fantástico e a receita acaba por ser muito fácil de confeccionar só é um pouco demorada.

Na receita de hoje a massa tem de repousar 24 horas no frigorífico, no entanto, este fim de semana fiz novamente esta receita com apenas 12 horas de repouso e achei o resultado final igual, por isso fica ao vosso critério o tempo de repouso.



No sul de França não há pastelaria que não venda estes bolinhos, provei-os pela primeira vez num agosto com um calor infernal e levei-os para a praia, confesso que os achei demasiado doces e até comentei com o meu marido que os Franceses se deviam dedicar apenas a fazer bolos de massa folhada, que aí sim, são os melhores. Voltei a provar noutra altura do ano e já gostei muito mais. Mas na minha opinião, esta receita supera qualquer um dos canelés que comi anteriormente, por ser menos doce e muito mais fofa.
Renderam 16 bolinhos, quem os provou sem conhecer os originais, disse que lhes fazia lembrar a massa dos pasteis de nata.

Caso queiram fazer e não tenham as formas originais, podem fazer numa qualquer forma de silicone porque o resultado é muito próximo, eu já testei em formas de muffins e fica com a textura igual. Se tiverem curiosidade em provar estes bolinhos, aqui vai a receita.

Caso queiram comprar as formas originais, existem à venda nas lojas DeBorla - foi lá onde comprei as minhas.

Ingredientes: (16 unidades)
500ml de leite
1 vagem de baunilha
200g de açúcar branco
120g de farinha de trigo (sem fermento)
3 gemas de ovos L (à temperatura ambiente)
30g de manteiga
60 ml de rum

Numa caçarola média, adicione o leite com as sementes da baunilha e deixe ferver. Retire do lume deixe arrefecer 5 minutos e transfira para uma taça.

Junte à taça o açúcar e a farinha, mexa tudo muito bem com a vara de arames até ficar uma massa homogénea, adicione as gemas, uma a uma e volte a bater (nesta fase eu transferi para a batedeira - velocidade 1). Junte a manteiga, por fim, o rum e bata tudo novamente até ficar cremoso. A massa deverá ficar com a consistência similar à massa dos crepes manteiga, não muito liquida nem muito grossa. 

Reserve no frigorífico durante 24 horas ou 12 horas, tapado com uma película aderente.


Pré-aqueça o forno a 230º.

Coloque a massa nos moldes (eu usei de silicone) por isso, não tive de os untar com manteiga.

Cozinhe durante 5 minutos, baixe a temperatura para os 180º e cozinhe por aproximadamente 50 minutos ou até os canelés ficarem bem dourados. 

Deixe arrefecer nos moldes durante 5 minutos e transfira para uma rede até ficarem mornos.

Et voilà!

Ostras com tártaro de frutas



Como já é habitual todos os anos gosto de trazer uma receita de ostras, sei que maior parte das pessoas que conheço as odeia. Com estas receitas que vou apresentando, tenho sempre a esperança de converter mais alguém para o clube do "Vamos lá tentar provar umas ostras novamente para ver se realmente não gostamos mesmo" (comigo resultou à terceira tentativa).

No inicio deste ano comi provavelmente as melhores ostras de sempre, super frescas, gordinhas, uma maravilha... Desde que os meus sogros se mudaram para o sul de França que a minha relação com as ostras tem melhorado bastante e percebi agora que a fruta e as ostras são a combinação perfeita, vejam aqui a receita do ano passado.



Esta receita foi tirada do livro do chef Ljubomir Stanisic, um livro que não é só de receitas mas sim de uma viagem que ele fez pela Europa com a sua família, numa auto caravana de nome Manuela. Têm de o ler porque é fantástico e em especial para quem gosta de gastronomia. Admiro a coragem, mas mais ainda a viagem, porque ele passou por lugares fantásticos que provavelmente só passaria se a fizesse pela estrada.

Adorei esta frase que retirei da contracapa do livro, foi realmente o que eu pensei assim que o acabei de ler. "Para ler, chorar, rir, chorar a rir, beber, comer, amar, odiar, copiar, invejar... Para "viajar". A partir de casa para qualquer parte do mundo".

Ora eu viajei até à ilha René com estas ostras, se quiserem vir comigo é só seguirem a receita.


Ingredientes: (4 pessoas)
16 ostras

Vinagreta:
1dl de azeite
1/2 maçã (não usei porque não tinha em casa)
30 g de manga
30g de papaia
1 chalota picada
1/3 pimento encarnado
2 colheres de sopa de vinagre de Jerez
 flor de sal de limão q.b.

Dica do chef: Colocar as ostras sobre uma frigideira ao lume, com um tigela por cima, como se fossem abertas ao vapor.

Como eu fiz:  Normalmente temos o hábito de as abrir minutos antes de as comer. Temos uma faca própria para abrir, mas espreitem aqui algumas dicas para não se aleijarem.

Para a vinagreta: Cortar os legumes e frutas em brunesa muito pequena, misturar azeite, maçã, chalota picada, vinagre de Jerez, pimento encarnado e sal.


Colocar as ostras sobre um prato e verter um pouco de vinagreta com os legumes e fruta sobre cada uma.


Ovos com espinafres


Tenho hábito de me levantar sempre bastante cedo, acho que poucas foram as vezes em que acordei depois das 11 horas nos últimos 10 anos, mesmo que faça uma noitada o meu corpo já está de tal maneira habituado que chega à hora do pequeno-almoço, dá de si. 

Normalmente ao pequeno-almoço gosto de comer coisas leves e nunca um prato como este. Isto para vos mostrar que esta receita é o que em Istambul se chama um pequeno almoço normal, a receita foi retirada deste livro, que depois de o desfolhar ficamos com uma vontade enorme de ir apanhar um avião até à Turquia.

Como cá por casa vivo com uma pessoa que ainda acorda mais cedo que eu, esta receita saltou do pequeno-almoço directa para um almoço de sábado, acompanhada de um peixe grelhado. Juntei-lhe o crème fraîche porque adoramos e eu acho que combina sempre muito bem com legumes quentes.

Acredito que para quem faça brunchs, esta seja uma boa opção, apesar de levar muitos espinafres acho que até acabou por ficar um prato bem leve, acompanhada com os ovos ainda mornos fica uma perdição.

E com mais um país, que calculo que seja muito bonito, trago mais uma bela panela Le creuset.

Uma boa semana para todos!

Ingredientes: (2 pessoas)
2 colheres de sopa de manteiga liquida
1 colher de sopa de azeite
1 cebola média
450g de espinafres
3 ovos
sal (usei de carvão preto)
mostarda em grão moída
1 colher de crème fraîche light

Numa caçarola, derreta a manteiga e o azeite e lume médio e saltei a cebola laminada durante uns 5 minutos, ou até finar translúcida. Acrescente os espinafres (eu usei biológicos mas só as folhas) cortados grosseiramente e deixe cozinhar, sem deixar de mexer até que estes fiquem pela metade do tamanho, são uns 10-12 minutos. Tempere com sal e a mostarda em grão.


Faça 3 pequenos buracos nos espinafres e cuidadosamente parta os ovos em cada um dos buracos. Coloque a tampa do tacho e deixe cozinhar ate que os ovos fiquem do vosso gosto, eu gosto deles um pouco crus, para que a gema se desfaça ao momento do nosso toque.

Sirva com o crème fraîche, vai ficar super leve e contrasta na perfeição com o sabor do espinafre, acreditem que vai fazer toda a diferença.